Por Caio Belo.
Caldeiras, vasos de pressão e tubulações são regidos pela norma regulamentadora 13, que os define baseado no produto pressão-volume do sistema.
O perigo destes equipamentos é devido principalmente ao seu risco de explossão, isto é de gerar uma rápida expansão do ar e projeção de pedaços de metais e gases ao seu redor.
Na introdução do seu artigo "Análise do Gerenciamento de Riscos
de um Sistema de Caldeira d Vaso de Pressão - Estudo de Caso", Michel Marcos de Oliveira, Rodrigo Eduardo Catai, Roberto Serta, Christiane Wagner Mainardes e Maria Regina da Silva Oliveira Canonico, todos da UTFPR dizem:
"Nas indústrias de processos, comumente caldeiras e vasos de pressão fazem parte de seu
aparato tecnológico, sendo necessários para a produção de calor e pressão, sendo
imprescindíveis em grande parte dos processos de transformação primária, seja esta física ou
química. Posto tal necessidade, deve ser enfatizado que os referidos equipamentos são,
normalmente, de grande porte e geram condições de altas temperaturas e pressão. Tais
condições são elementos que por si podem originar acidentes e, ainda, se somado à falta de
atenção e importância ao atendimento aos preceitos de segurança, podem elevar o grau de
seriedade destes acidentes. "
Para evitar este perigo, é possível adotar algumas medidas como aquelas mencionadas na norma regulamentadora 13:
"Constitui condição de risco grave e iminente - RGI o não cumprimento de qualquer item previsto nesta NR que
possa causar acidente ou doença relacionada ao trabalho, com lesão grave à integridade física do trabalhador,
especialmente:
a) Operação de equipamentos abrangidos por esta NR [Caldeiras, vasos de pressão e tubulações] sem dispositivos de segurança ajustados com pressão de abertura
igual ou inferior a pressão máxima de trabalho admissível - PMTA, instalado diretamente no vaso ou no sistema que
o inclui, considerados os requisitos do código de projeto relativos a aberturas escalonadas e tolerâncias de calibração;
b) Atraso na inspeção de segurança periódica de caldeiras;
c) Bloqueio inadvertido de dispositivos de segurança de caldeiras e vasos de pressão, ou seu bloqueio intencional sem a
devida justificativa técnica baseada em códigos, normas ou procedimentos formais de operação do equipamento;
d) Ausência de dispositivo operacional de controle do nível de água de caldeira;
e) Operação de equipamento enquadrado nesta NR [Caldeiras, vasos de pressão e tubulações] com deterioração atestada por meio de recomendação de sua retirada
de operação constante de parecer conclusivo em relatório de inspeção de segurança, de acordo com seu respectivo
código de projeto ou de adequação ao uso;
f) Operação de caldeira por trabalhador desqualificado, ou que não
esteja sob supervisão, acompanhamento ou assistência específica de operador qualificado."
Vejamos o seguinte vídeo sobre a NR-13:
O segredo para um alto padrão de segurança na área de caldeiras, vasos de pressão e tubulações é a constante inspeção dos equipamentos. Por isso, deve-se exibir nos equipamentos algumas informações sobre o mesmo, vejamos um exemplo retirado da NR-13:
"Toda caldeira deve ter afixada em seu corpo, em local de fácil acesso e bem visível, placa de identificação
indelével com, no mínimo, as seguintes informações:
a) nome do fabricante;
b) número de ordem dado pelo fabricante da caldeira;
c) ano de fabricação;
d) pressão máxima de trabalho admissível;
e) pressão de teste hidrostático de fabricação;
f) capacidade de produção de vapor;
g) área de superfície de aquecimento;
h) código de projeto e ano de edição. "
Vemos um exemplo na figura 1:

Figura 1
Vejamos o que poderá ocorrer caso as normas não forem seguidas:
É claro que o a explosão não é o único risco de segurança que existe ao redor de caldeiras, vasos de pressão e tubulações.
Caldeiras, por exemplo, podem operar em altíssimas temperaturas
Podemos citar alguns casos de desastres que ocorreram devido à negligência relacionada a caldeiras, vasos de pressão e tubulações.
A reportagem de 2015 do site Diário do Sertão (diariodosertao.com.br) diz:
"Foi divulgado essa semana o laudo técnico do acidente na industria sousense de ração animal, que vitimou fatalmente 4 mortos e vários feridos em julho de 2015.
O laudo apontou que as condições em que funcionava a caldeira eram precárias e elas não passaram pelas manutenções preventivas regularmente. Os peritos identificaram que a industria não seguia normas padrões de segurança do trabalho, o que contribuiu para que a fatalidade ocorresse."
A figura 2 mostra o fato mencionado na notícia
Figura 2
Vemos ainda outra notícia da G1 (G1.globo.com) de 2016:
A figura 2 mostra o fato mencionado na notícia
Figura 2
Vemos ainda outra notícia da G1 (G1.globo.com) de 2016:
"Duas pessoas morreram e três ficaram feridas na explosão de uma caldeira na fábrica de cervejas Heineken, em Jacareí, no interior de são Paulo. A explosão foi tão forte que destruiu muros e derrubou árvores.
Câmeras internas gravaram o momento do acidente. Peritos da polícia estiveram na fábrica e as causas da explosão ainda estão sendo investigadas. Por causa do acidente, os cerca de 400 funcionários foram dispensados."
Uma imagem do incidente em São Paulo é mostrada na figura 3
Figura 3
Vemos que o ambiente de trabalho se torna menos seguro com a presença de caldeiras, vasos de pressão e tubulações, porém, podemos tomar algumas medidas para que a possibilidade do erro humano na operação diminua. Segundo Michel Marcos de Oliveira, Rodrigo Eduardo Catai, Roberto Serta, Christiane Wagner Mainardes e Maria Regina da Silva Oliveira Canonico, no seu artigo "Análise do Gerenciamento de Riscos de um Sistema de Caldeira d Vaso de Pressão - Estudo de Caso":
"Entre as diversas técnicas que podem ser utilizadas na identificação de riscos Cicco (2003)
destaca o uso do check-list, utilizado com grande frequência. Segundo Faria (2009) check-list
ou lista de verificação, é composto por uma série de perguntas relativas ao sistema em análise,
seu objetivo é verificar a ocorrência de não-conformidades e conformidades que poderiam
colocar em risco o trabalhador, ou causar dano material ou prejuízos ao meio ambiente. Assim
o principal objetivo do check-list é identificar os riscos através de uma avaliação padrão em
uma atividade em andamento, sendo o nível de detalhamento determinado de acordo com a
necessidade ou risco da atividade. "
e ainda:
"Recomenda-se o uso do check-list na fase preliminar de análise de riscos, e quando
necessário, os resultados obtidos através de sua aplicação podem subsidiar o emprego de
técnicas consagradas, como Análise Preliminar de Riscos (APR), ou Hazop. Deste modo, o
check-list aplicado de forma isolada ou associado a outras técnicas, apresenta-se como uma
boa alternativa, por sua praticidade e objetividade."
Com isso, observamos que a organização é chave na hora de assegurar a segurança para todos. Podemos fazer uso de metodologias como a checklist para ajudar os operadores das caldeiras, vasos de pressão e tubulações a eliminar a possibilidade do erro operacional. É claro que Na fase de projeto dos equipamentos medidas para assegurar a resistência do material devem ser tomadas. Com todos os passos seguidos cuidadosamente, teremos uma operação normal e segura de caldeiras, vasos de pressão e tubulações.
Nenhum comentário:
Postar um comentário